terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A mulher mais linda da cidade.

A MULHER MAIS LINDA DA CIDADE

Era madrugada. Acordei com uma puta vontade de enterrar meu nariz no velho -e bem provavelmente sujo- travesseiro branco. Preparei o café e as torradas. Me banhei. Arrumei rapidamente o armário. Me vesti em meu traje favorito: cuecas e meias pretas; botas de couro; calça jeans um pouco folgada, e a surrada camisa cinza, com a fantástica camisa quadriculada vermelha e preta. Afinal, era o primeiro dia em uma cidade nova, e a primeira ida ao cursinho pré-vestibular. Com pressa, adentrei em um ônibus lotado, e esperei aquele careca desgraçado desocupar a cadeira ao lado da janela. Imbecil. Ele provavelmente deve ter sido a última pessoa a levantar aquela bunda murcha daquele banco. Mas enfim. Saltei na plataforma. Ainda me movimentando depressa, avistei um cara que estava se drogando dentro de um grande túnel de passagem de esgoto. O sujeito não tinha uma cara das melhores; o mesmo digo ao seu pulmão. Logo em seguida, subi a ladeira que dava na Praça da Piedade e andei mais alguns metros, até avistar o então incrível "cursinho pré-vestibular Grandes Mestres". Tinha um nome bosta sim, é inegável. Mas que era bom, é mais certeza ainda. Apresentei o meu cartão de entrada, girei a catraca e entrei na sala de aula. O lugar era um grande salão branco, com mais fileiras de cadeiras do que eu julgava ser possível. Avistei uma cadeira vazia e me sentei. As paredes continham inúmeros cartazes de "NÃO USE ISSO" e "NÃO FAÇA ISSO", o que de certa forma, me deu um ar nostálgico de uma prisão (mesmo que nunca tenha pisado lá). Impaciente, assisti as quatro aulas do dia, sem conhecer ninguém em especial. Fiquei todo o tempo fuçando o celular, na esperança de que alguém respondesse minhas mensagens de "SOCOORRO!!!!" e "QUERO PULAR DA PONTE", mas não fui bem sucedido.
No dia seguinte, ainda com boas roupas, fui para o cursinho novamente. Fiz uma amizade por empréstimo com duas idiotas. Aquelas garotas eram umas  portas. Puxavam conversa em intervalos pausados, enquanto eu delicadamente respondia a qualquer bosta que elas perguntavam:
- É só o meu segundo dia. Não sei onde fica nada.
- Eu não sei se vou poder ir, tenho que estudar.
- Sim, aquele mendigo roubou o meu misto. ( isso não se faz!!)
Enquanto elas pareciam deliciar o que eu falava, meus olhos ancoraram em uma bela moça. Ela era sim, a mais linda mulher da cidade. Tinha 1,70 de altura, aproximadamente. Suas madeixas marrom-claro pareciam deslizar em sua clavícula, como um rio percorre o seu curso. Sua pele alva parecia se fundir em sua roupa rosa claro, em uma mistura única. Naquele momento, nada mais importava. Pouco depois, a aula conheceu o seu fim, e eu conheci a desgraça que é sentir atração por alguém.

domingo, 11 de outubro de 2015

Ouça o meu violão esquecido gritar o seu nome
Ouça-o sussurrar o ritmo de minha pulsação
Sinta-o te levar ao nosso antigo encontro desmarcado
Onde lá estarei te procurando.

Guardei minhas lágrimas em olhos apaixonados
Espero que essa melodia cesse,
Espero poder parar de pensar em seus doces olhares
Porque a cada vez que mergulho em nossos mares,
O incessante esquecimento me envolve em um abraço maldito.

Nosso amor é uma razão desmerecida, um guerreiro desalmado
Um sonho mutilado, um ''para sempre'' incompleto;
Que ainda respira o próprio passado
Para tentar decifrar o futuro incerto

Para aqueles cuja vida parece descansar sobre suas pálpebras,
Que se dê tempo;
Para aqueles cuja vida oferece solidão,
Que se dê uma história de amor.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Asteroide inacabado

Esvazie sua mente, recomece
O fim é somente um começo reencarnado
Um amor terminado, mas inacabado
Pronto para te engolir por inteiro
Pronto para te cuspir verdades
Enquanto seus ouvidos estão prontos
Para ouvir o que o seu coração quiser.

Nós éramos o que nunca acabava
Éramos o próprio ciclo lunar
A mais completa união de opostos:
Você visitava estrelas para pô-las em seus cabelos,
Eu visitava para me alimentar de seus rastros.

Agora, sua poeira virou lembrança,
A lembrança se tornou meu pensamento,
E eu me tornei sombra
Não uma sombra sua, ou da sua voz;
E sim,
Uma sombra do próprio fim.
.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Perdi o meu caminho de casa
Ando rodeando, contornando o que me faz ser
Porque o que me faz acreditar anda contando mentiras
Não sei mais no que posso acreditar
Por que acreditar?

Eu faço o meu céu, instruo o meu inferno
Cavo extremos para encontrar a minha superfície
Deslizo entre o limite da vida
Enquanto a morte vigia a queda
Pronta para aparecer
E levar o amor que nunca tive.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Por onde começar?
O sentido já não acha a direção
A estrada já não acha o chão
Cansei de rodear a mais perfeita reta,
Cansei de caminhar descalço sobre minhas memórias quebradas
Só quero deitar ao lado do seu amor
E deslizar sobre o feixe de luz que cruza o meu mundo
Esperando ser exilado entre a sombra e penumbra

Que por vezes me afasta,
E outras aprisiona

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sobre o medo..

Então o medo veio
Acorrentando sonhos futuros
Libertando passados esquecidos
Medo é a fera dominada em busca de lágrimas,
E lágrimas são indomáveis em busca de dor.
O medo visita nossas mentes quando final-mente,
Nos deparamos com a nossa condição:
”O que somos?”
Somos somente a nossa realidade...
...Tão demasiadamente fruto de nosso medo.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Talvez a luz entre pela janela
Talvez você não saiba como eu consigo voar
Talvez eu possa enxergar as suas asas
Talvez nós possamos voar juntos 

Nossos caminhos são distantes
São tantas possibilidades,tantos sorrisos
Tanto amor para pouca realidade
Tanta dor para pouco tempo

A lua vai brilhar hoje,eu verei
Seu sorriso irá iluminar o mundo hoje,eu me esconderei
Para longe da luz que me faz ser o que sou
Sou o toque,sou a música
Sou o pássaro que voa sem asas